Dois dias em Vilnius, com direito à escapada ao Castelo de Trakai

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Vista de Vilnius e da Igreja de Santa Catarina. Foto: Centro de Informação Turística de Vilnius

Já pensou em conhecer a capital da Lituânia? Se não, pode incluí-la nos seus planos. A cidade é relativamente pequena. Tem pouco mais de 500.000 habitantes. Todos falam inglês bem. Faz parte da União Europeia, portanto a moeda é o Euro. É considerado um dos países mais seguros da Europa.

O voo de Dublin, onde moro, para Vilnius dura 3h15. Essa parte é tranquila. O ruim é, se não for cidadão europeu, passar pela imigração. Caso seja sua primeira vez na cidade, ao chegar, você não sabe a que fila se dirigir e acaba entrando na primeira que vê. Quando se dá conta, está na fila errada. Então você decide ir para a certa a de “Outros Passaportes”. É quando começa seu calvário. Uma gente que você não sabe de onde é não tem o menor respeito por algo chamado fila. Eles entram na sua frente na maior cara-de-pau. E a fila é tão confusa que você nem sabe como se posicionar para que isso não aconteça. Resultado: sem querer armar um barraco em um país estrangeiro e diante de oficiais de imigração, acredito ter sido a última a ter o passaporte carimbado.

Mas meu mau humor passou rápido. Como cheguei tarde da noite, peguei um táxi. O taxista era lindo e muito simpático. Nos poucos minutos que durou a corrida (até gostaria que a distância fosse mais longa!), ele me deu várias dicas do que fazer – e não fazer – na cidade.

Fiquei hospedada no Comfort Hotel LT – Rock’n Roll Vilnius. Esse três estrelas me causou boa impressão desde que entrei. Tem decoração jovial e moderna; recepcionistas simpáticos (vale ressaltar que você demora um pouquinho para se tocar que aqueles jovens diante de uma mesinha de computador são os recepcionistas!); quarto grande, limpo e confortável; banheiro com praticamente tudo de que necessita (só faltou shampoo e condicionador), e, ainda, com direito a um café da manhã que não é dos mais fartos, mas que oferece o essencial. O hotel está a quinze minutos do centro histórico e a curta distância das estações de ônibus e de trem.

O fuso horário na Lituânia é GMT+2hrs. Essa parte foi sofrida para mim na hora de acordar para tomar café. Quem disse que a vida de turista é fácil?

Depois do café-da-manhã, comecei meu dia. Ao chegar no centro histórico, fui ao escritório de turismo para obter informação sobre as principais atrações e pegar um mapa. Lá soube que, infelizmente, o acesso à famosa Torre do Castelo de Gediminas estava fechado. Menos mal que se vê a torre quase que de qualquer ponto do centro! Foi então que percebi que havia esquecido meu celular no hotel! Como tirar fotos?! Voltei ao hotel… Dizem que não há mal que não venha para o bem. Realmente foi ótimo, porque, ao retornar para o centro histórico, vi que sairia da Prefeitura (Rotušė) uma visita guiada gratuita (no fim, você sempre paga, mas é você quem define quanto), às 12 horas, com guias do Vilnius with Locals.

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Praça da Prefeitura. Foto: Andréa Milhomem

Em outros artigos, já comentei o quanto gosto de fazer visitas guiadas, principalmente quando acabo de chegar à cidade e não vou passar muitos dias. É uma maneira de ver o indispensável, conhecer histórias curiosas sobre a cidade, obter dicas. Sem a visita, eu jamais saberia, por exemplo, como Vilnius está conectada com a América do Sul, sobre a visita de George W. Bush à cidade, não entenderia por que existe uma escultura de uma mulher nua montada em um urso, não ouviria as divertidas histórias sobre a República de Užupis e, provavelmente, nem passaria pela rua da Literatura (Literatų Gatvė).

A visita à parte histórica da cidade e à República de Užupis durou duas horas. A guia limitou-se a falar sobre os pontos turísticos, sem que os visitássemos por dentro. Foi tão interessante que nem senti o tempo passar, mesmo chovendo um pouquinho e a temperatura não ter ultrapassado os 9 graus. Ainda tive sorte, pois, no dia seguinte à minha partida, nevou! Isso porque estamos na primavera!… Listo, a seguir, os destaques da visita guiada:

Rua dos Alemães (Vokiečių g): cheia de lojas, cafés e restaurantes. O nome lituano Vokiečių gatvė foi mencionado em textos pela primeira vez em 1576, mas a sua origem encontra-se no século XIV, quando comerciantes alemães da Liga Hanseática foram convidados pelo Grande Duque Gediminas a se estabelecerem em Vilnius com a promessa de liberdade religiosa. Depois da invasão soviética, em 1940, esse bulevar ficou com uma característica peculiar: do lado esquerdo, os prédios permaneceram com a arquitetura alemã; do lado direito, adotou-se o estilo soviético.

República de Užupis. Esse bairro de Vilnius, por obra de artistas e boêmios, converteu-se em república no dia 1º de abril de 1997. O fato de ser o Dia da Mentira não é por acaso. Essa república pouco ortodoxa tem seus próprios governantes, ou seja, um presidente, um primeiro ministro, um bispo, embaixadores. Eles têm hino nacional, mapa e até uma Constituição! A lei que regula os direitos e deveres dos cidadãos de Užupis foi traduzida para nove idiomas (infelizmente, não há versão em português) e está afixada em um muro. Entre seus 41 artigos, regulamenta-se, por exemplo, que todos têm direito a ser felizes, todos têm direito a ser infelizes, um cachorro tem direito a ser um cachorro, todos têm direito a errar, todos têm direito a chorar etc. De uma das pontes que dá acesso à República, vê-se a uma sereia. Segundo a lenda, aqueles que não resistirem a seu encanto permanecerão em Užupis… O símbolo da República é uma mão aberta. Pressupõe-se que seus cidadãos são tolerantes e abertos a tudo e a todos. Você vai deparar com uma engraçada estátua de Jesus com uma mochila. A explicação: consideram que Jesus foi o primeiro mochileiro do mundo! No 1º de abril de 2002, para comemorar sua “independência”, foi exposta ao público, pela primeira vez, a escultura o Anjo de Užupis. Criatividade e histórias é o que não falta!

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Anjo de Užupis. Foto: Andréa Milhomem

Igreja de Santa Ana (šv. Onos bažnyčia). É um dos principais símbolos da cidade e, para mim, a fachada mais bonita, devido ao incrível efeito dos 33 tipos diferentes de tijolos justapostos. Não se sabe ao certo quando foi construída a igreja original. Acredita-se, entretanto, que seu estilo gótico data entre 1495 e 1500, por obra do arquiteto alemão Benedikt Rejt (1453-1534), famoso por ter projetado parte do Castelo de Praga, na República Tcheca. Napoleão Bonaparte a visitou em 1812. Dizem que ficou tão fascinado com a beleza da igreja que gostaria de levá-la com ele para Paris, na palma de sua mão. É algo difícil de acreditar, tendo em vista que foi onde instalou a cavalaria francesa…

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Igreja de Santa Ana e Igreja de São Bernardo. Foto: Andréa Milhomem

Igreja de São Bernardo. Está ao lado da Igreja de Santa Ana. De longe, tem-se a impressão de que são uma só. A partir de uma observação mais atenta, percebe-se que são completamente diferentes. Nesta, foram adicionadas a arquitetura barroca e renascentista. Foi construída, na metade do século XV, a pedido de monges da Ordem de São Bernardo.

Rua da Literatura (Literatų g.). O que mais chama a atenção nessa rua são placas e pequenos objetos de metal, madeira, vidro, afixados nas paredes. A ideia de restaurá-la e decorá-la foi de um grupo de artistas, em 2008, como homenagem a poetas e escritores que, de alguma forma, tenham deixado marca na cidade ou no país. O resultado é original e interessante.

Palácio Presidencial (Prezidentūra). A atual residência oficial, de arquitetura clássica, foi, primeiramente, um palácio episcopal, de menores proporções, no século XIV. Até adquirir a estrutura que tem hoje em dia, passou por várias reformas.

Universidade de Vilnius (Vilniaus Universitetas). Originou-se no ano de 1570 como Colégio Jesuíta. Em 1579, o Papa Gregório XIII aprovou a fundação da Universidade, que deixou de estar vinculada à Igreja Católica a partir de 1773. Por apenas € 1,50, é uma das visitas mais interessantes a se fazer na cidade. Enumero, a seguir, o que é imperdível. 1) O Pátio Maior é um complexo harmonioso de edifícios de vários períodos e estilos (renascentista, barroco, neoclássico). É onde se encontra a Igreja de São João Batista e de São João Apóstolo e Evangelista, fundada em 1386 por iniciativa dos cidadãos. A primeira igreja era gótica, mas, depois dos incêndios de 1737 e 1749, foi reconstruída em estilo barroco. Junto à igreja, eleva-se um campanário de 68m, construído a princípios do século XVII. 2) A livraria “Littera”, de estrutura barroca, encontra-se no pátio M. K. Sarbievijus. Os belos afrescos pintados no teto em 1978 representam figuras das ciências e das artes que tiveram êxito na Universidade de Vilnius. Nos pilares, estão representados os retratos de alunos, professores e mecenas mais célebres da universidade. 3) Os afrescos do Centro de Estudos Lituanos, criados em 1976-1985, formam o ciclo das estações do ano. Estão representados temas e símbolos da mitologia lituana. 4) O pátio de Simonas Daukantas (1793-1864) homenageia ao aluno da universidade e primeiro historiador que escreveu a história do país em lituano.

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Universidade de Vilnius. Pátio Maior. Foto: Andréa Milhomem

Catedral Basílica de São Estanislau & São Ladislau (Vilniaus Šv. Stanislovo ir Šv. Vladislovo arkikatedra bazilika). É considerado o mais importante edifício católico na Lituânia. A igreja foi construída em 1251, onde funcionou como templo pagão. Com a morte do Grande Duque Mindaugas, em 1263, o templo voltou a ser pagão. Após a conversão oficial do país ao Cristianismo, em 1387, foi restituído à Igreja Católica. O edifício atual data de 1419, embora tenha sofrido várias modificações desde então. O título de “Basílica” foi dado pelo Papa Pio XI, em 1922. Várias figuras representativas da história da Lituânia estão enterradas no mausoléu.

A visita guiada terminou em frente à Catedral. Eu estava ansiosa para ir ao Museu das Vítimas do Genocídio, também conhecido como Museu da KGB. Perguntei à guia como ir. A partir da catedral, o melhor acesso é pela Avenida Gediminas (Gedimino Prospektas), a rua principal da cidade e onde se concentra a maioria das instituições governamentais.

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Museu do Genocídio. Foto: Andréa Milhomem

Entendo que nem todos têm estômago para esse tipo de exposição. Eu vejo porque tenho fascínio por história. Gosto de entender os fatos passados, por mais violentos e tristes que sejam. O edifício instalou, entre 1940 e 1991, as polícias secretas russas NKVD e  KGB.  Entre 1942 e 1944, o prédio foi controlado pela Gestapo, a polícia secreta nazista. Há em várias salas, objetos e móveis usados por seus ocupantes. A exposição permanente engloba desde o final dos anos de 1930, quando a Lituânia viu sua soberania ser destruída por Moscou e implementada a ideologia comunista; o período da ocupação nazista e do holocausto; até a resistência popular anti-soviética (1954-1991). No subsolo, encontra-se a prisão da KGB, estabelecida no outono de 1940, após a Lituânia ter sido ocupada pela União Soviética. Naquela época, a prisão tinha 50 celas. No início de 1960, a maioria das celas passou a ser usada para arquivo da KGB. Hoje em dia, a prisão está exatamente como foi deixada pela KGB em 1991. É muito triste ver as condições de humilhação e miséria a que um ser humano sujeita o outro.

Para tentar digerir todas as informações, fui ao bem recomendado restaurante Town. Embora a especialidade sejam as carnes, tomei uma sopa maravilhosa e comi um filé de halibute delicioso. Aprovado.

Bem alimentada, repassei os lugares onde havia estado com a guia para fotografá-los. Adoro fazer isso. Assim, gravo melhor  os relatos que ouvi. Fui ainda a dois lugares nos quais não havia estado: a Igreja Dominicana do Santo Espírito (Šventosios Dvasios bažnyčia) e a Porta da Aurora (Aušros Vartai).

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Porta da Aurora. Foto: Andréa Milhomem

A Igreja do Santo Espírito é uma das mais antigas de Vilnius. Adquiriu a aparência atual a finais do século XIV. Sua arquitetura barroca data da metade do século XVIII, após ter sido restaurada por causa de sérios incêndios. Em seu interior, o estilo rococó prevalece, o que a deixa suntuosa. Como estava havendo missa, não pude apreciá-la mais detalhadamente.

A Porta da Aurora é um dos santuários mais visitados em Vilnius. Entre 1503 e 1522, foram construídos cinco portais nas muralhas defensivas. Esse foi o único que resistiu. Uma imagem do século XVII da Santíssima Virgem Maria, a Mãe da Misericórdia (a Madona de Vilnius) foi colocada no portal para proteger a cidade, conforme costume da época. Acredita-se que ela tem poderes curativos. É um local reverenciado tanto por católicos quanto por ortodoxos. Manteve-se aberto inclusive durante a ocupação soviética.

Para terminar o dia, fui ao Holigans, um restaurante vegetariano próximo ao hotel. Tomei uma apetitosa sopa de beterraba, acompanhada de uns pãezinhos deliciosos. O lugar é descontraído, barato, com bom atendimento e alimentos saudáveis. Eles também servem cafés e tortas.

No dia seguinte, fui a Trakai, cidade medieval a 30 km de Vilnius. Do hotel para a estação de ônibus (Sodų g. 22), são uns cinco minutos. Compra-se a passagem diretamente do motorista. Paguei 1,80. O ônibus sai da plataforma 6. O trajeto de Vilnius para Trakai durou trinta minutos. É possível ir de trem, mas há menos opções de horário. Ao chegar em Trakai, é necessário caminhar dois quilômetros até as duas pontes de pedestres que dão acesso ao castelo. Paga-se pela entrada € 6,00 (mais € 1,50, caso queira tirar fotos). Caso prefira simplesmente admirá-lo por fora, dos os jardins e apreciando a vista do lago, é possível fazê-lo.

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Castelo de Trakai. Foto: Andréa Milhomem

O impressionante castelo de Trakai com suas torres vermelhas é também conhecido como Castelo da Ilha (Trakų salos pilis), por estar situado numa ilha no lago Galvé. Começou a ser construído no século XIV, a pedido do Grande Duque da Lituânia Kęstutis e foi concluído por seu filho Vytautas, o Grande, no começo do século XV.

Embora o grande chamariz seja seu famoso castelo gótico, a arquitetura dessa cidade rodeada por três lagos também merece destaque por suas casas de madeira. Além disso, o povo de Trakai tem uma história longa e rica. Nela, no século XIV, a convite do grão-duque Vytautas, chegaram os caraítas, povo originário dos judeus, de fala turca, não seguidores do Talmude. Hoje em dia, ainda vivem em Trakai uns 50 lituanos caraítas. Vestígios de sua cultura podem ser encontrados na kenesa, local de adoração dos caraítas semelhante a uma sinagoga.

Almocei no restaurante Kybynlar. Comi kibinai (uma espécie de empada). Escolhi com recheio de espinafre e queijo. Pedi também uma torta de peixe com tomate cherry, que estava saborosíssima. Decidi experimentar a cerveja Svyturys e gostei!

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Comida típica. Foto: Andréa Milhomem

Voltei a Vilnius ainda com tempo de subir a Montanha das Três Cruzes e ir à Igreja de São Pedro e São Paulo.

A Montanha das Três Cruzes é um símbolo, ao mesmo tempo, de luto e esperança. Segundo a lenda, sete monges franciscanos foram ali crucificados no século XIV. Desde então, foram construídas cruzes no local. A obra que se vê hoje, de Kęstutis Šilgalis, é de 1989. Em dias claros, imagino que a vista da cidade histórica seja espetacular. Infelizmente, não tive essa sorte.

A Lituânia é predominantemente católica, embora os pagãos só tenham se convertido ao cristianismo a partir do século XIV. Conta-se que, para cristianizar a população, os padres ofereciam um casaco de lã a todos que fossem batizados. Em um país frio, cheio de campesinos pobres, o que se podia esperar?! Alguns iam até a vila vizinha e se batizavam outra vez. Quanto mais fosse batizado, mais casaco no armário…

Há uma quantidade impressionante de igrejas no país. Só em Vilnius, há mais de 70, embora de diferentes religiões. Entretanto, sabem qual é a segunda religião com mais seguidores na Lituânia?! O basquete! Segundo a guia do Vilnius with Locals, falar de basquete é, inclusive, uma boa forma para começar um bate-papo com os locais…

Mas como eu não saberia começar uma conversação falando de basquete, opto por comentar sobre a exuberante Igreja de São Pedro e São Paulo (Šv. apaštalų Petro ir Povilo bažnyčia). Apesar de preferir igrejas góticas, tenho de tirar o chapéu para essa barroca, uma obra-prima do século XVII. O que mais me deixou extasiada foi o seu interior. Os mais de 2000 ornamentos feitos com estuque, e que representam cenas religiosas e mitológicas, são de fazer cair o queixo.

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Igreja de São Pedro e São Paulo. Foto: Andréa Milhomem

Para terminar a viagem ainda mais contente, saí completamente da dieta e fiz um lanche hipercalórico. Fui a AJ Sokoladas, uma chocolateria retrô divina, na charmosa rua Pilies (Pilies g). Pedi uma torta de chocolate amargo, marzipã e rum. Como acompanhamento, chocolate quente. Diz um ditado lituano: Deus deu dentes; ele dará o pão (Dievas davė dantis, Dievas duos ir duonos). Ele me deu chocolate! A chocólatra foi embora feliz e empanzinada.

Peguei um ônibus para o aeroporto. A passagem custa € 1,00. Da estação de ônibus, o trajeto é feito em uns dez minutos. Voltei para casa cansada, mas, ao mesmo tempo, me sentindo mais forte e cheia de vitalidade. Como dizia Sêneca: viajar e mudar de lugar revitaliza a mente. Até a próxima!

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Rua Principal (Didžioji g.). Igreja Ortodoxa São Parasceve. Foto: Andréa Milhomem

espanhaDos días en Vilnius, con escapada al Castillo de Trakai

¿Alguna vez has pensado conocer  la capital de Lituania? Si aún no, deberías incluirla en tus planes. La ciudad no es muy grande. Tiene poco más de 500.000 habitantes. Todos hablan inglés muy bien. Lituania forma parte de la Unión Europea, por lo que la moneda es el Euro. Se considera uno de los países más seguros de Europa.

El vuelo de Dublín, donde vivo, a Vilnius tiene una duración de 3 horas 15 minutos. Esa parte es tranquila. Lo malo, si no eres ciudadano europeo, es pasar por el Control de Pasaportes. Si es tu primera vez en la ciudad, no sabes a qué cola dirigirte y vas a la primera que ves. Cuando te das cuenta, estás en la cola equivocada. Por lo que decides ir a buscar la correcta, en mi caso la de “Otros Pasaportes.” Es entonces cuando comienza tu calvario. Te pones junto a una gente que no tienes ni idea de dónde son y que encima no tienen ningún respeto por algo que se llama cola. Los caraduras se ponen delante de ti con desfachatez. Y la cola es tan confusa que ni siquiera sabes cómo posicionarte de manera que eso no ocurra. Resultado: sin querer ponerme en apuros en un país extranjero y delante de los oficiales de Aduana, creo haber sido la última en tener sellado el pasaporte.

Mi mal humor pasó rápidamente. Por haber llegado muy tarde en la noche, cogí un taxi. El taxista era muy guapo y amable. En los pocos minutos que duró el trayecto (!Me hubiera encantado que la distancia fuera más larga!), me dio varios consejos de qué hacer – y qué no hacer – en la ciudad.

Me quedé en el Comfort Hotel LT – Rock’n Roll Vilnius. Este tres estrellas me causó muy buena impresión desde el primer momento. La decoración es original y moderna; los recepcionistas son muy simpáticos (!Cabe destacar que empleas algo de tiempo en darte cuenta de que los jóvenes frente a una mesa de ordenador son los recepcionistas!); la habitación es grande, limpia y cómoda; el baño tiene prácticamente todo lo que necesitas (menos champú y acondicionador); el desayuno no es abundante, pero tiene lo esencial. El hotel está a quince minutos del centro histórico y a poca distancia de las estaciones de autobús y tren.

La zona horaria en Lituania es GMT + 2 h. Así que fue muy duro despertarme para el desayuno. ¿A quién se le ocurre decir que la vida de turista es fácil?

Después del desayuno, me dirigí al centro histórico. Fuí a la oficina de turismo para informarme sobre los principales lugares de interés y coger un mapa. Allí supe que, lamentablemente, el acceso a la famosa Torre del Castillo de Gediminas estaba cerrada. ¡Menos mal que se  ve de casi cualquier punto del centro! Al salir de la oficina de turismo, me di cuenta de que había olvidado el móvil en el hotel! Cómo hacer las fotos?! Así que tuve que regresar al hotel… Dicen que no hay mal que por bien no venga. De veras. Al volver al centro histórico, vi que salía del Ayuntamiento (Rotušė) una visita guiada gratuita a las 12 horas, con los de Vilnius with locals.  Al final siempre hay que pagar, pero eres tú quien estableces la cantidad.

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Castillo de Gediminas. Foto: Centro de Información Turística de Vilnius

En otros artículos, ya he mencionado lo mucho que me gusta hacer visitas guiadas, especialmente cuando acabo de llegar a la ciudad y no voy a pasar muchos días. Es una manera de ver lo que es esencial, de saber historias curiosas sobre la ciudad, de que te sugieran qué hacer. Sin la visita jamás llegaría a saber, por ejemplo, la razón por la cual Vilnius está conectada con Sudamérica, sobre la visita de George W. Bush a la ciudad, no entendería por qué hay una escultura de una mujer desnuda sentada en un oso, no conocería unas cuantas historias divertidas sobre la República de Užupis y, probablemente, no pasaría por la calle de la Literatura (Literatu Gatvė).

La visita a la ciudad histórica y a la República de Užupis dura dos horas. En el paseo, la guía se limita a hablar de los lugares de interés sin que visitemos su interior. De todas formas, la visita fue tan interesante que ni sentí pasar el tiempo, incluso lloviendo un poco y con una temperatura que no superaba los nueve grados. Todavía tuve suerte, porque al día siguiente a mi partida, !nevó! !Y eso que estábamos en primavera! A continuación, destaco lo que me ha parecido más interesante en la visita:

La Calle Alemana (Vokiečių g) está llena de tiendas, cafés y restaurantes. El nombre lituano Vokiečių gatvė fue por primera vez mencionado en textos en 1576, pero su origen está en el siglo XIV, cuando los comerciantes alemanes de la Liga Hanseática fueron invitados por el Gran Duque Gediminas a instalarse en Vilnius, con la promesa de libertad religiosa. Después de la invasión soviética en 1940, este bulevar pasó a tener una característica peculiar: el lado izquierdo de los edificios mantuvo la arquitectura alemana; en el de la derecha, se adoptó el estilo soviético.

La República de Užupis me pareció muy interesante y divertida. Este distrito de Vilnius, a través del trabajo de artistas y bohemios, se convirtió en república el 1 de abril de 1997. El hecho de que fuera el Día de los Inocentes no es por casualidad. Esta república poco ortodoxa tiene sus propios mandatarios, es decir, un presidente, un primer ministro, un obispo, embajadores. Tienen himno nacional, mapa e incluso !una Constitución! La ley que regula los derechos y deberes de los ciudadanos de Užupis ha sido traducida a nueve idiomas (incluso al español) y está fijada a una pared. Entre sus 41 artículos se reglamenta, por ejemplo, que todos tienen derecho a ser felices, todos tienen derecho a ser infelices, un perro tiene derecho a ser un perro, todos tienen derecho a equivocarse, todos tienen derecho a llorar, etcétera. En uno de los puentes que dan acceso a la República hay una escultura de una sirena. Según la leyenda, los que no resisten a su encanto permanecen en Užupis… El símbolo de la República es una mano abierta. Se supone que sus ciudadanos son tolerantes y abiertos a todo y a todos. Te verás delante de una estatua de Jesús con una mochila. La explicación: ¡Consideran que Jesús fue el primer mochilero del mundo! El 1 de abril de 2002, para celebrar su “independencia”, fue expuesta al público, por primera vez, la escultura del Ángel de Užupis. Se nota que no les falta creatividad e historias que contar.

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Iglesia de Santa Ana (šv. Onos bažnyčia). Es uno de los principales símbolos de la ciudad y, para mí, entre todas las iglesias que he visto en Vilnius, es la que tiene la fachada más bella. Eso se debe al increíble efecto de los 33 diferentes tipos de ladrillos yuxtapuestos. No se sabe exactamente cuando la iglesia original fue construida. Se cree, sin embargo, que su estilo gótico se desarrolló entre 1495 y 1500, a través de la obra del arquitecto alemán Benedikt Rejt (1453-1534), famoso por haber diseñado partes del Castillo de Praga, en la República Checa. Napoleón Bonaparte la visitó en 1812. Se dice que se quedó tan fascinado por la belleza de la iglesia que le hubiera gustado poder llevársela a París, en la palma de la mano. Es algo difícil de creer, dado que allí instaló a la caballería francesa…

Iglesia de San Bernardo. Está al lado de la Iglesia de Santa Ana. Desde lejos, se tiene la sensación de que son una sola. Pero, en cuanto la miras más de cerca, te darás cuenta de que son completamente distintas. A esta se le añadieron la arquitectura barroca y renacentista. Fue construida a mediados del siglo XV, a petición de los monjes de la Orden de San Bernardo.

Calle de la Literatura (Literatų g.) Lo que más llama la atención en esta calle son las placas y los pequeños objetos de metal, madera y vidrio enganchados a las paredes. La idea de restaurar la calle y decorarla se debe a un grupo de artistas que, en  2008, lo hizo como un homenaje a poetas y escritores que, de alguna manera, han dejado huella en la ciudad o en el país. El resultado es original e interesante.

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Calle de la Literatura. Foto: Andréa Milhomem

Palacio Presidencial (Prezidentūra). La actual residencia oficial, de arquitectura clásica, fue un palacio episcopal, de menores proporciones en el siglo XIV. Hasta adquirir la estructura que tiene hoy, ha pasado por varias reformas.

Universidad de Vilnius (Vilniaus Universitetas). Tiene su origen en el año 1570 como colegio jesuita. En 1579, el Papa Gregorio XIII aprobó la fundación de la Universidad, que dejó de estar vinculada a la Iglesia Católica a partir de 1773. Por sólo 1,50 €, es uno de los lugares de la ciudad al que, definitivamente, hay que ir. Enumero, a continuación, lo que es imperdible. 1) El Patio Mayor es un complejo armónico de edificios de distintas épocas y estilos (renacentista, barroco, neoclásico). Allí verás la Iglesia de San Juan Bautista y San Juan el Apóstol y Evangelista, fundada en 1386 por iniciativa de los ciudadanos. La primera iglesia era gótica, pero, después de los incendios de 1737 y 1749 fue reconstruida en estilo barroco. Junto a la iglesia, se levanta un campanario de 68 metros construido a principios del siglo XVII. 2) La librería “Littera”, de estructura barroca, está en el patio M. K. Sarbievijus. Los hermosos frescos pintados en el techo en 1978 representan a personas de la ciencia y de las artes que tuvieron éxito en la Universidad de Vilnius. En los pilares están representados los retratos de los estudiantes, los profesores y los más célebres mecenas de la Universidad. 3) Los frescos del Centro de Investigación de Lituania, creados en 1976 a 1985, forman el ciclo de las estaciones. En ellos están representados temas y símbolos de la mitología lituana. 4) El patio Daukantas Simonas (1793-1864) rinde homenaje al estudiante de la universidad y primer historiador que escribió la historia del país en lituano.

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Universidad de Vilnius. Patio Mayor. Foto: Andréa Milhomem

Basílica Catedral de San Estanislao y San Ladislao (Vilniaus Šv. Stanislovo ir Šv. Vladislovo arkikatedra bazilika). Se considera el edificio católico más importante de Lituania. La iglesia fue construida en 1251 sobre un templo pagano. Con la muerte del Gran Duque Mindaugas, en 1263, el templo volvió a ser pagano. Después de la conversión oficial del país al Cristianismo, en 1387 le fue devuelto a la Iglesia Católica. El edificio actual data de 1419, aunque ha sufrido varias modificaciones desde entonces. El título de “Basílica” le fue dado por Papa Pío XI en 1922. Varias figuras representativas de la historia de Lituania están enterradas en el mausoleo.

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Basílica Catedral de San Estanislao y San Ladislao. Foto: Andréa Milhomem

La visita terminó en frente de la catedral. Estaba ansiosa por ir al Museo de las Víctimas del Genocidio, también conocido como el Museo de la KGB. Le pregunté a la guía cómo ir. Desde la catedral, el mejor acceso es por la avenida Gediminas (Gedimino Prospektas), la calle principal de la ciudad y donde se concentran la mayoría de las instituciones gubernamentales.

Entiendo que no todo el mundo tiene estómago para ese tipo de exposiciones. Voy porque me fascina la historia. Me gusta entender los eventos pasados, por más violentos y tristes que sean. En ese edificio se establecieron entre 1940 y 1991, las policías secretas rusas NKVD y KGB. Entre 1942 y 1944, la Gestapo, la policía secreta nazi, ocupó el edificio. Hay varias habitaciones, objetos y muebles que lo confirman. La exposición permanente engloba desde finales de los años 30 cuando Lituania vió su soberanía  destruida por Moscú y implantada la ideología comunista; el período de la ocupación nazi y del Holocausto; hasta la resistencia popular anti-soviética (1954-1991). En el sótano se encuentra la prisión de la KGB, establecida en el otoño de 1940, después de que Lituania fue ocupada por la Unión Soviética. En ese momento, la prisión tenía 50 celdas. A principios de 1960, la KGB pasó a utilizar 31 de las celdas como archivo. Hoy en día la prisión está exactamente como la dejó la KGB en 1991. Es muy triste ver las condiciones de humillación y miseria a  las que un ser humano somete a otro.

Para tratar de digerir toda la información fui al renombrado restaurante Town. Aunque la especialidad son las carnes, tomé una sopa riquísima y comí un delicioso filete de fletán. Lo recomiendo.

Bien alimentada, repasé los lugares donde había estado con la guía para  fotografiarlos. Me encanta hacerlo. Así consigo memorizar mejor todo lo que se ha dicho. Después fui a dos otros sitios donde no había estado aún: la Iglesia Dominicana del Espíritu Santo (Šventosios Dvasios bažnyčia) y las Puertas del Alba (Aušros Vartai).

La Iglesia del Espíritu Santo es una de los más antiguas de Vilnius. Adquirió el aspecto actual a finales del siglo XIV. Su arquitectura barroca data de mediados del siglo XVIII, después de haber sido restaurada debido a incendios graves. En su interior, prevalece el estilo rococó, lo que la hace suntuosa. Cuando entré, se celebraba misa, así que, por respeto, preferí no quedarme.

Las Puertas del Alba es uno de los santuarios más visitados en Vilnius. Entre 1503 y 1522 se construyeron cinco puertas en los muros defensivos. Esta fue la única que resistió. Una imagen del siglo XVII de la Virgen María, la Madre de la Misericordia (la Madonna de Vilnius) se colocó en el portal para proteger la ciudad, como costumbre de la época. Se cree que tiene poderes curativos. Este es un sitio venerado tanto por católicos como por ortodoxos. Se mantuvo abierto incluso durante la ocupación soviética.

Para finalizar el día, fui a Holigans, un restaurante vegetariano al lado del hotel. Tomé una sopa de remolacha muy sabrosa, acompañada por unos ricos panecillos. El lugar es tranquilo, tiene buen precio, un personal atento y la comida es sana. También sirven cafés y pasteles.

Al día siguiente fui a Trakai, una ciudad medieval a 30 km de Vilnius. Desde el hotel a la estación de autobuses (Sodų g. 22) tardé unos cinco minutos. Se puede comprar el billete directamente del conductor (1,80 €). El autobús sale de la dársena seis. Desde Vilnius a Trakai se tarda treinta/cuarenta minutos. Se puede ir en tren, pero hay menos opciones de horarios. Al llegar a Trakai, hay que caminar dos kilómetros para llegar a los dos puentes que dan acceso al castillo. El precio de la entrada es 6,00 € (1.50 € más si quieres hacer fotos). Si prefieres simplemente admirar el castillo desde los jardines exteriores y disfrutar de la vista del lago, puedes hacerlo.

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Castillo de Trakai. Foto: Andréa Milhomem

El impresionante castillo de Trakai con sus torres de color rojo también se conoce como la Isla de Castillo (Trakų salos pilis), ya que se encuentra en una isla del lago Galvé. Comenzó a construirse en el siglo XIV, a petición de Kęstutis, el Gran Duque de Lituania. Su hijo Vytautas el Grande concluyó las obras en el siglo XV.

Aunque el gran atractivo de Trakai sea su famoso castillo gótico, la arquitectura de esa ciudad rodeada por tres lagos también destaca por sus casas de madera. Además, su pueblo tiene una larga y rica historia, lo que se debe principalmente a los caraítas, judíos de habla turca, no seguidores del Talmud, que, en el siglo XIV, por invitación del Gran Duque Vytautas, se fueron a vivir a Trakai. Hoy en día sólo quedan cerca de 50 lituanos caraítas. Las huellas de su cultura se pueden encontrar en la kenesa, lugar de culto semejante a una sinagoga.

Almorcé en el restaurante Kybynlar. Comí las tradicionales Kibinai (se parecen a las empanadas). Elegí una con relleno de espinacas y queso. También tomé un pastel de pescado con tomates cherry que estaba muy sabroso. Probé la cerveza Svyturys. La recomiendo.

Volví a Vilnius todavía con tiempo para subir a la Montaña de las Tres Cruces e ir a la Iglesia de San Pedro y San Pablo.

La Montaña de las Tres Cruces es un símbolo, de duelo y de esperanza a la vez. Según la leyenda, siete monjes franciscanos fueron crucificados allí en el siglo XIV. Desde entonces  se han levantado cruces en el sitio. La obra que se ve hoy, de Kęstutis Šilgalis, es del año 1989. Me imagino que en los días claros la vista de la ciudad histórica debe ser espectacular. Desafortunadamente, no tuve suerte.

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Montaña de las Tres Cruces. Foto: Andréa Milhomem

Lituania es predominantemente católica, aunque los paganos sólo se convirtieron al cristianismo a partir del siglo XIV. Se dice que, para cristianizar a la gente, los sacerdotes ofrecían una chaqueta de lana a todos los que se bautizaran. En un país frío, lleno de campesinos pobres, lo que pasó fue que muchos se bautizaron más de una vez… Cuantos más bautizos, más abrigos en el armario…

Hay un número impresionante de iglesias en el país. Sólo en Vilnius, hay más de 70, aunque de diferentes religiones. Sin embargo, ¿saben cuál es la segunda religión con más seguidores en Lituania? !El baloncesto! De acuerdo con la guía de Vilnius with Locals, hablar sobre el baloncesto es incluso una buena manera de entablar conversación con la gente del país.

Pero como yo sería incapaz de dar inicio a una conversación sobre el baloncesto, mejor seguir con comentarios sobre iglesias… Por ejemplo, sobre la exuberante Iglesia de San Pedro y San Pablo (Šv. apaštalų Petro ir Povilo bažnyčia). Apesar de mi preferencia por las iglesias góticas, esta obra maestra barroca del siglo XVII me dejó sin habla. Los más de 2.000 adornos hechos con estuco, y que representan escenas religiosas y mitológicas, son fantásticos.

Para finalizar el viaje aún más contenta, olvidé por completo la dieta  y me tomé una merienda de alto contenido calórico. Fui a AJ Sokoladas, una chocolatería divina. Pedí una tarta de chocolate negro, mazapán y ron. Para beber, chocolate caliente. De acuerdo con un dicho popular lituano: “Dios dio los dientes; Él te dará el pan” (Dievas davė dantis, Dievas duos ir duonos). Pues a mí Él me dió el chocolate! Salí de allí con la tripa a punto de reventar, pero muy feliz.

Cogí un autobús para el aeropuerto. El coste del billete es de 1,00 €. El trayecto se hace en diez minutos. Volví a casa cansada, pero a la vez, con más fuerza y vitalidad. Como decía Séneca: viajar y cambiar de lugar revitaliza la mente. !Hasta la próxima!

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Museo Nacional de Lituania. Foto: Andréa Milhomem

bandeirasVilnius and Trakai in two days

Have you ever considered visiting the capital of Lithuania? If not, you should include it in your plans. The city is relatively small. It has just over 500,000 inhabitants. They all speak very good English. It is part of the European Union, so the currency is Euro. It is considered one of the safest countries in Europe.

The flight from Dublin, where I live, to Vilnius takes 3 hours and 15 minutes. That’s the bright side. By constrast, if you are not a European Union citizen, the problem is to go through the passport control. If it’s your first time in town, when you arrive, you don’t know which line you should wait in and you end up in the first  line you see to finally realize you’re in the wrong one. So you decide to move to the right one (in my case, it was “Other Passports”). That’s when your ordeal begins. People you can’t identify where they come from show no respect for something called queue. They cut in line and show no embarrassment. And the queue is so confusing that you don’t even know how to position yourself to avoid it to happen. In the end, as I didn’t want fuss over in a foreign country and in front of immigration officers, I’m pretty sure I was the last one to have the passport stamped.

But my bad mood didn’t last too long. As I arrived late at night, I took a taxi. The taxi driver was very handsome and friendly. On the short way to the hotel (I would have loved if the distance were longer!), he provided me with several dos and don’ts in the city.

I stayed at the Comfort Hotel LT – Rock’n Roll Vilnius. My first impression was very good. The hotel’s décor is modern and fashionable; the receptionists are friendly (but it takes a little while to figure out that some nice guys at a computer desk are the receptionists!); the bedroom is big, clean and comfortable; the bathroom has everything you need (it only lacks shampoo and hair conditioner), and the complimentary breakfast is okay. The hotel is about a 15 minute walk from the Old Town and very close to the bus and train stations.

The time zone in Lithuania is GMT + 2hrs. So waking up at the next day was really hard for me. Who says it’s easy to be a tourist?

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German Street. Photo: Andréa Milhomem

After breakfast, my day really began. Upon arrival in the Old Town, I went to the tourist office to get information about the main attractions and a map. There I was  told that, unfortunately, the access to the famous Gediminas Castle Tower was closed. At least it was possible to see the tower from almost anywhere! When I left the tourist office I realized that I had left my cell phone back in the hotel! How to take pictures?! I returned to the hotel… There is a proverb that says, “every cloud has a silver lining”. In fact, it suited me fine because when I came back to the Old Town, I found out that there was a free walking tour, Vilnius with Locals, leaving the City Hall (Rotušė) at 12 a.m. In the end, you always pay, but you define the price.

In other articles, I have already mentioned how much I like to join guided tours, especially when I’ve just arrived in a city where I will not spend many days. It is a way to see what is essential, to hear exciting stories about the city and the people, to get relevant tips. If I hadn’t taken the walking tour, I would have never known, for example, how Vilnius is connected to South America, about George W. Bush’s visit to the city, I wouldn’t have understood  why there is a sculpture of a naked woman on a bear, I wouldn’t have heard  the funny stories about the Republic of Užupis and probably I wouldn’t have even strolled down the Literatu Street (Literatų Gatvė).

The tour of the Old Town and the Republic of Užupis lasted two hours. It was so interesting that I didn’t feel the time goes by, even though it was raining a little bit and the temperature was around 9°C. I was still lucky, because the day right after I left, it snowed there! And I went in the spring!.. Below, I’ll provide details of the highlights of the walking tour:

German Street (Vokiečių g). It’s full of shops, cafes and restaurants. The earliest mention of the Lithuanian name Vokiečių gatvė in texts was in 1576. Its origin, however, dates back to the 14th century, when German merchants of the Hanseatic League were invited by Grand Duke Gediminas to settle in Vilnius with the promise of religious freedom. After the Soviet invasion, in 1940, this boulevard had a peculiar feature: on the left side, the buildings kept the German architecture; on the right side, it adopted the Soviet style.

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German Street. Photo: Andréa Milhomem

The Republic of Užupis. Created by artists and bohemians, this district of Vilnius became a republic on April 1st, 1997. The fact of being the Fool’s Day is not by chance. This unorthodox republic has its own rulers: a president, a prime minister, a bishop, ambassadors. They have a national anthem, a map and even a Constitution! The law that regulates the rights and duties of the Užupis’citizens has been translated into nine languages ​​(English included) and it is fixed onto a wall. Among their 41 clauses, it says, for example, that everyone has the right to be happy, everyone has the right to be unhappy, a dog has the right to be a dog, everyone has the right to make mistakes, etc. From one of the bridges that gives access to the Republic, you can see a mermaid statue. According to the legend, those who do not resist her charm will remain in Užupis… The symbol of the Republic is an open hand. It is assumed that its citizens are open minded. You’ll also come across a funny statue of Jesus with a backpack. The explanation: they consider Jesus was the first backpacker in the world! On April 1st, 2002, to commemorate its “independence”, a sculpture called Užupis Angel was exposed to the public for the first time. As you can notice, it is a place where creativity and imagination don’t lack at all.

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Photo: Andréa Milhomem

St. Anne’s Church (šv. Onos bažnyčia). It is one of the landmarks of the city and, for me, the most beautiful façade, due to the incredible effect of the 33 different types of juxtaposed bricks. It is unknown when the original church was built. It is believed, however, that its Gothic style dates back between 1495 and 1500 by the work of the German architect Benedikt Rejt (1453-1534), famous for having designed part of the Prague Castle in the Czech Republic. Napoleon Bonaparte visited it in 1812. It’s told that he was so fascinated by the beauty of the church that he would have said he would take it with him back to Paris on the palm of his hand. It is something hard to believe, given the fact he installed the French cavalry there…

Bernardine Church. It is so close to the Church of St. Anne that you have the impression they are one and the same. A closer look, though, allows one to realize they are completely different. In the Bernardine Church were added Baroque and Renaissance architecture. It was built in the middle of the 15th century at the request of Bernardine monks.

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Bernardine Church. Photo: Andréa Milhomem

Literatu Street (Literatų g.). It’s a street of striking originality, because of the plates and the small objects of metal, wood, and glass affixed to the walls. The idea of ​​restoring and decorating the street came from a group of artists, in 2008, as a tribute to poets and writers who somehow left a mark in the city or in the country. The result is really interesting.

Presidential Palace (Prezidentūra). Originally, in the 14th century, it was the Bishop’s Palace. Nowadays, after several reforms, the official residence of the President of Lithuania is much bigger and it has  a classical architecture.

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Presidential Palace. Photo: Andréa Milhomem

Vilnius University (Vilniaus Universitetas). Its origins dates the year 1570 as a Jesuit College. In 1579, Pope Gregory XIII gave Papal sanction to the foundation of the Vilnius University. It became secular in 1773. For only € 1.50, it is one of the most interesting attractions in the city. Here you will find what is not to be missed: 1) The Patio Maior is a harmonious complex of buildings of various periods and styles (Renaissance, Baroque, Neoclassicism). In this place, it is located the St. Johns’ Church, founded, in 1386, by the local citizens’ initiative. The first church was Gothic, but, after the fires of 1737 and 1749, it was rebuilt in Baroque style. Next to the church, stands a 68m steeple, built at the beginning of the 17th century. 2) The “Littera” bookstore, with baroque structure, is in the courtyard M. K. Sarbievijus. The beautiful frescoes painted in 1978 on the ceiling represent figures from the sciences and the arts who succeeded at the Vilnius University. In the pillars are represented the portraits of students, teachers and most famous patrons of the university. 3) The frescoes of the Center for Lithuanian Studies, created in 1976-1985, form the cycle of the seasons where are represented themes and symbols of the Lithuanian mythology. 4) The courtyard of Simonas Daukantas (1793-1864) honours the student of the university and first historian who wrote the history of the country in Lithuanian.

Cathedral-Basilica of St. Stanislaus & St. Ladislaus (Vilniaus Šv. Stanislovo ir Šv. Vladislovo arkikatedra bazilika). It is considered the most important Catholic building in Lithuania. The church was built in 1251 where, originally, it was a pagan temple. After the Grand Duke Mindaugas passed away, in 1263, the temple went back to being pagan again. With the official conversion of the country to Christianity, in 1387, it was restored to the Catholic Church. The current building dates from 1419, though it has undergone several alterations since then. The title of “Basilica” was given by Pope Pius XI in 1922. Several figures representing the history of Lithuania are buried in the mausoleum.

The walking tour ended in front of the Cathedral. I was anxious to go to the Museum of Victims of Genocide, also known as the KGB Museum. I asked the guide how to arrive there. From the cathedral, the best access is along Avenida Gediminas (Gedimino Prospektas), the main street of the city and where most governmental institutions are concentrated.

I understand that not everyone has the stomach for this type of exhibition. I do because I am fascinated by history. I like to understand past events, no matter how violent and sad they may be. In that building was established, between 1940 and 1991, the Russian secret police NKVD and KGB. Between 1942 and 1944, the Gestapo, the Nazi secret police, occupied the building. There are several rooms, objects and furniture to confirm it. The permanent exhibition encompasses since the late 1930s, when Lithuania saw its sovereignty being destroyed by Moscow, and the communist ideology being implanted; the period of Nazi occupation and the Holocaust; until the anti-Soviet popular resistance (1954-1991). In the basement was the KGB prison, established in the autumn of 1940, after Lithuania was occupied by the Soviet Union. At that time, the prison had 50 cells. In the early 1960s, 31 of the cells were used as archives. Today, the prison is exactly as it was left by the KGB in 1991. It is very sad to see the conditions of humiliation and misery that a human being is capable of inflicting on another.

To try to digest all that information, I walked to the renowned Town restaurant. Although their specialty is meats, I had a delicious soup and ate a tasty steak of halibut. I heartily recommend it.

Well-fed, I went back to the places where I had been with the guide, now to take some photos. I love doing this. I think it’s easier to memorize everything you heard. Then I went to two other places where I had not been yet: the Dominican Church of the Holy Spirit (Šventosios Dvasios bažnyčia) and the Gates of Dawn (Aušros Vartai).

The Church of the Holy Spirit is one of the oldest in Vilnius. It acquired the present aspect at the end of the 14th century. Its baroque architecture dates back the middle of the 18th century, after having been restored due to serious fires. In its interior, the rococo style prevails, what makes it look sumptuous. When I entered, a mass was being held, so, out of respect, I preferred not to stay.

The Gates of Dawn is one of the most visited shrines in Vilnius. Between 1503 and 1522, five gates were built on the defensive walls. This was the only one that resisted. A 17th century image of the Blessed Virgin Mary, the Mother of Mercy (the Madonna of Vilnius) was placed on the portal to protect the city, a common practice those days. It has been said to have miracle-working powers. This is a site worshipped by both Catholic and Orthodox Christians. It remained open even during the Soviet occupation.

To end the day, I went to Holigans, a vegetarian restaurant next to the hotel. I had a very tasty beet soup, served with delicious types of bread. The place is quiet, has a fair price, an attentive staff and the food is healthy. They also serve coffee and cakes.

The following day, I visited Trakai, a medieval town 30 km from Vilnius. From the hotel to the bus station (Sodų g. 22), it takes about five minutes walking. You can buy the ticket directly from the driver. It costs € 1.80. The bus leaves from platform 6. The journey from Vilnius to Trakai lasted thirty minutes. There are some trains running between Vilnius and Trakai as well. When arriving in Trakai, you will walk two kilometers to get to the bridges that give access to the castle. The entrance ticket costs € 6,00 (plus € 1,50, in case you want to take photos). If you prefer, you can simply admire it from the gardens, enjoying the view of the lake.

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Trakai. Photo: Andréa Milhomem

The impressive Trakai Castle with its red towers is also known as Island Castle (Trakų salos pilis), because it is situated in an island on Lake Galvé. The construction began in the 14th century at the request of the Grand Duke of Lithuania Kęstutis and was completed by his son Vytautas the Great in the early 15th century.

Although the main attraction is its famous Gothic castle, the architecture of this city surrounded by three lakes is also noteworthy for its wooden colourful houses. In addition, its people have a long and rich history. In the 14th century, the Grand Duke Vytautas relocated to Lithuania the Karaites, an ethnic group of Jewish descent, Turkic-speaking, not Talmud followers. There are about 50 Lithuanian Karaites still living in Trakai. Traces of their culture can be found in the Kenesa, their place of worship, similar to a synagogue.

I had lunch at the Kybynlar restaurant. I ate kibinai. Traditionally the pastry is filled with mutton and onion. As I don’t eat meat, I chose it with spinach and cheese. I also ordered a delicious fish pie with cherry tomato. I tried the Svyturys beer and I really enjoyed it!

I returned to Vilnius still in time to climb the Hill of the Three Crosses and visit the Church of St. Peter and St. Paul.

The Three Crosses Monument is a symbol of mourning and hope at the same time. According to the legend, seven Franciscan monks were crucified there in the 14th century. Crosses have been built on the site since then. The monument we see today was designed by Kęstutis Šilgalis in 1989. On clear days, I imagine you can have a stunning view of the Old Town. Unfortunately, I was not so lucky.

Lithuania is predominantly Catholic, although it was the last place in Europe to adopt Christianity. Before 1387, its people were pagans. It is said that to Christianize the population, priests offered a coat to all those who accepted to be baptized. In a cold country, full of poor peasants, what else could be expected?! Some even went to the next village to be baptized again… The more times one was baptized, the more cloaks in the closet one could have…

There are an impressive amount of churches in the country. In Vilnius alone, there are more than 70,  of different creeds. Anyway, can you guess which  religion ranks the second in number of followers in Lithuania?! The basketball! According to the Vilnius with Locals guide, talking about basketball is also a good way to start a chat with the locals.

As I would not be able to even start a conversation about basketball, I’d rather comment on the exuberant Church of St. Peter and St. Paul (Šv. Apaštalų Petro ir Povilo bažnyčia). Although I prefer Gothic churches, I must confess this Baroque one is a masterpiece of the 17th century. What delighted me most was its interior. The more than 2,000 stucco ornaments, representing religious and mythological scenes, are amazing.

To end the trip even happier, I completely forgot the diet and made a hypercaloric snack. I went to AJ Sokoladas, a divine retro chocolate maker, in the charming Pilies Street (Pilies g.). I ordered a black chocolate cake with marzipan and Cuba rum and had hot chocolate to drink. There’s a Lithuanian proverb that says: God gave teeth, He will give bread (Dievas davė dantis, Dievas duos go duonos). He gave me chocolate! This chocoholic woman left fatter, but also happier.

I took a bus to the airport. The ticket costs € 1.00. From the bus station, the journey takes about ten minutes. I returned home tired, but  feeling stronger and full of vitality as well. As Seneca said, “Travel and change of place impart new vigour to the mind”. Till next time!

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3 thoughts on “Dois dias em Vilnius, com direito à escapada ao Castelo de Trakai

  1. Estou programando uma viagem para o ano que vem e já estou procurando o que tem de bom por lá. Sou brasileiro morando em Brasília, mas tenho também a nacionalidade portuguesa. Gostei muito de seu blog. Está muito bem estruturado, permitindo passear pelos pontos turísticos com muita facilidade. Parabéns e continue viajando pelo mundo afora. Abraço

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    1. Maurício, fico muito contente que tenha gostado do blog. Muito obrigada pelo comentário. Reconhecimento como esse me faz ter vontade de escrever mais e mais. Um abraço.

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