Madri: paixão à primeira vista. Perambulando pela charmosa Madri dos Áustrias

Palacio Real
Palácio Real e Catedral da Almudena. Foto: Andréa Milhomem

Dizia o escritor e jornalista Francisco Umbral (1932-2007) que “Madri é uma desculpa para contar histórias”. Eu nem preciso de desculpa. Falar de Madri é como falar da minha própria casa. Sinto um carinho enorme por essa cidade que tão bem me acolheu durante dez anos. Dela guardo recordações maravilhosas e mantenho amigos que, estou certa, serão para toda a vida.

Nos meus primeiros meses em Madri, como não conhecia muita gente, se me sentia meio pra baixo, saía para fazer uma caminhada. As ruas, os monumentos e o azul do céu, mesmo no auge do inverno, me faziam voltar para casa revigorada. Com o passar do tempo, mesmo tendo feito amigos, não abria mão das caminhadas. Essa era uma forma de me sentir como a cidade: viva. Faço minhas as palavras do romancista catalão Use Lahoz (1976 –  ): “Madri sentia uma queda por mim, e eu por ela”.

A melhor época para ir a Madri é no outono ou na primavera. O verão é muito quente, com temperaturas que podem superar os 40 graus, e não refresca nem durante a noite.

Conhecer os pontos turísticos é algo que se faz relativamente rápido. Os principais museus (Prado, Thyssen e Reina Sofía) é que tomam mais tempo. Pode-se pegar o ônibus de turismo. Entretanto, a melhor forma, em minha opinião, de percorrer a cidade é a pé. Ao mesmo tempo em que se caminha pelas várias ruelas, pode-se desfrutar das cafeterias, restaurantes, bares de tapas (pequenas porções de comidas variadas, da azeitona ao famoso presunto jamón serrano e queijo manchego) e casas de flamenco. Sempre haverá gente na rua. O agito na cidade é intenso. Por isso, cuidado com a carteira. Pequenos furtos são comuns.  

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Tapas. Foto: Martin Kapoun

Qualquer referência turística à cidade a dividirá essencialmente em duas: Madrid de los Austrias e Madrid de los Borbones. Assim também estará dividido este artigo. Este se restringirá às dicas de lugares interessantes para se visitar na chamada Madrid de los Austrias. O próximo tratará da Madrid de los Borbones, bem como apresentará outras atrações turísticas da cidade.

Recorrendo à história, a Casa de Áustria é como se conhece a dinastia Habsburgo reinante na Monarquia Hispânica (ou Monarquia Católica), desde 1516, quando Carlos I foi proclamado rei, até a morte sem sucessão direta de Carlos II, em 1700. 

Durante a dinastia dos Áustrias, em 1561, Felipe II resolveu transferir a corte de Toledo para Madri. Essa decisão fez com que a cidade quase quadruplicasse sua superfície em pouco tempo. Os bairros mais antigos foram objeto de profunda remodelação. As muralhas medievais foram derrubadas para a ampliação das ruas e do comércio.

Apesar das numerosas obras realizadas pelos monarcas da Casa de Áustria, a modernização de Madri aconteceria durante o reinado da Casa Real de Bourbon, dinastia monárquica de origem francesa a que pertence o atual rei espanhol D. Felipe de Borbón y Grecia, que reina com o nome de Felipe VI.

A melhor forma de conhecer a Madrid de los Austrias é caminhando. Para percorrê-la tranquilamente, melhor que se planeje para um dia inteiro.

Embora não faça parte da Madrid de los Austrias, sugiro que se comece a programação pela praça Puerta del Sol, um dos lugares mais conhecidos e concorridos da capital espanhola. O edifício mais antigo é a Casa de Correos, construída no final do século XVIII e que, hoje em dia, alberga o Conselho da Presidência da Prefeitura de Madri. De sua arquitetura, destaca-se o relógio da torre, do século XIX. Esse relógio é o grande protagonista da noite de 31 de dezembro. Uma multidão se aglomera na praça esperando suas doze badaladas para cumprir o ritual de comer as doze uvas que anunciam boa sorte na chegada do Ano Novo. Diante da Real Casa de Correos, encontra-se a placa do Km 0 das rodovias nacionais que partem de Madri. Outro monumento bastante famoso, e popular ponto de encontro, na Porta do Sol, é El Oso y el Madroño (o Urso e o Medronheiro). Não saia de lá sem a sua foto!

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Puerta del Sol. Foto: Andréa Milhomem

Para começar seu tour à Madrid de los Austrias, siga pela calle Arenal, uma rua de pedestres bastante movimentada e charmosa. Não olhe apenas para as vitrines das lojas. De vez em quando, olhe para cima e aprecie a decoração art noveau dos edifícios. Dê uma paradinha na Igreja de San Ginés, uma das mais antigas de Madri, de 1085. Sua aparência de nova se deve às várias restaurações. Dados interessantes sobre essa igreja: ali foi batizado o famoso escritor do século de ouro espanhol, Quevedo (1580-1645), e onde se casou o dramaturgo e poeta espanhol Lope de Vega (1562-1635). Não deixe passar despercebida a pitoresca Librería San Ginés, fundada há mais de 300 anos. Não importa se é um amante da literatura ou não. A livraria, protegida por telhas e com suas mesinhas de madeira, conserva sua estrutura original. É encantadora! Siga pelo callejón até chegar à tradicional Chocolateria San Ginés. Experimente o chocolate com churros. Seu lado criança agradecerá!

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Foto: Palácio Real

Continuando seu caminho pela calle Arenal, você chegará à Praça de Isabel II, mais conhecida como Ópera. Siga até chegar à plaza de Oriente. Nessa praça monumental, datada de 1844, destaca-se, entre as várias esculturas e os belos jardins, a efígie de Felipe IV, do século XVII, considerada a primeira estátua equestre do mundo suspensa unicamente pelas patas traseiras do cavalo. Veja dois dos edifícios mais relevantes da cidade: o Teatro Real e o Palácio Real. Dependendo de sua disponibilidade, vale a pena visitá-los.

O Palácio Real, na calle Bailén, ocupa o lugar privilegiado no qual os muçulmanos construíram a fortaleza que, no século IX, foi a origem de “Mayrit”, em árabe. Quando Afonso VI conquistou a cidade, dois séculos mais tarde, o antigo castelo muçulmano se tornou o alcáçar  dos reis cristãos, sendo submetido a sucessivas reformas ao longo dos séculos.

Sob o domínio dos Habsburgos, a antiga fortaleza veio a adquirir a aparência de uma verdadeira residência palaciana. Porém, em 1734, sofreu um incêndio devastador que a reduziu quase à ruína. Com isso, Felipe V, o primeiro rei da Casa de Bourbon na Espanha, decidiu construir um novo palácio, no mesmo local.

O trabalho começou em 1736 e durou até 1764. De planta quadrangular, o palácio está organizado em torno de um grande pátio central, seguindo o contorno dos antigos alcáçares, enquanto nas fachadas, seguindo o que foi feito por Bernini para o Louvre em 1665, foram utilizados granito, pedra branca Colmenar e mármore nos relevos e detalhes.

Atualmente, não é utilizado como a residência real e sim para atos oficiais, tais como: recepções de gala aos Chefes de Estado que visitam o país,  apresentação ao Rei de cartas credenciais pelos embaixadores estrangeiros na Espanha, e audiências militares. 

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Foto: Teatro Real

Depois de ter se imaginado residindo no Palácio e assistindo a uma ópera em um elegante balcão do Teatro Real, é hora de se redimir visitando a Catedral da Almudena, a principal igreja da Arquidiocese de Madri e onde se presta culto à patrona da cidade, Santa Maria da Almudena. O início de sua construção se deu em 1883. As obras se concluíram em 1993. Apresenta três estilos: neoclássico no exterior, neogótico no interior e neorromânico na cripta. A entrada é pela calle Bailén. Caso deseje visitar a cripta, entre pela calle Mayor.

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Catedral da Almudena. Foto: Madrid Destino

Finalizada a visita à catedral, encaminhe-se à calle Mayor. Faça uma pequena parada na Plaza de la Villa, onde se encontram três edifícios de grande valor histórico-artístico: a Casa y Torre de los Lujanes (séc. XV), em estilo gótico-mudéjar; a Casa de Cisneros (séc. XVI), palácio plateresco; e a Casa de la Villa, de estilo barroco, pertencente à Prefeitura de Madri.

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Plaza de la Villa. Foto: Madrid Destino

Em seguida, dirija-se à Plaza Mayor. Essa praça – originalmente chamada Plaza del Arrabal e onde se localizava o principal mercado da cidade – serviu de cenário para vários eventos, como touradas, coroações, execuções públicas e, durante a Inquisição, autos de fé. Sua remodelação teve início em 1577, durante o reinado de Felipe II, e conclusão em 1619, sob o reinado de Felipe III, cuja estátua equestre, de 1616, se encontra no centro da praça. Merece destaque a Casa de la Panadería, edifício de 1590 que, em 1992, recebeu a deslumbrante fachada com a representação de figuras mitológicas relacionadas com a história de Madri. Hoje em dia, alberga o Centro de Turismo Praça Mayor. Todas as manhãs de domingos e feriados, celebra-se na praça Mayor o mercado de filatelia e numismática. Desde 1860, é também onde se realiza o mercado de Natal.

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Praça Mayor. Foto: Martin Kapoun

Embora na praça Mayor haja grande oferta de restaurantes, sugiro que experimente algo mais simples: bocadillo de calamar (sanduíche de lula feito em pão francês, que pode ser acompanhado de maionese ou limão), na Casa María, na Cervecería Plaza Mayor, no Magerit ou no El Soportal. Se ainda não estiver com fome, não se preocupe. A iguaria pode ser encontrada em outros pontos da cidade. Um local bastante conhecido é o El Brillante, em frente à estação de trem de Atocha.

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Bocadillo de Calamar. Foto: Martin Kapoun

Saindo pela parte oeste da praça Mayor, você chegará ao Mercado de San Miguel. Vale a pena uma visita. Sua estrutura de ferro e vidro é do princípio do século XX, mas foi reformado e reinaugurado em 2009, tornando-se um mercado gourmet, com alimentos e bebidas de qualidade.

Dirija-se para a calle Cava de San Miguel. Adiante, no número 17, você encontrará o restaurante Mesón del Champiñón. A propaganda dele é a de que faz o melhor champignon do mundo. E eu acho que faz sim! O lugar é muito interessante. Assemelha-se a uma gruta repleta de cogumelos.  As opiniões variam, porém, sobre o organista…

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Mesón del Champiñón. Foto: Andréa Milhomem

Seguindo pela Cava de San Miguel, você encontrará o emblemático Arco de Cuchilleros, empinada escada de pedra e o mais famoso – e fotografado – dos nove portais de acesso à Plaza Mayor.

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Arco de Cuchilleros. Foto: Madrid©Turespaña

Desde o Arco de Cuchilleros até a Plaza Puerta Cerrada, você caminhará pela calle de Cuchilleros, rua cheia de bares e restaurantes. Um dos mais conhecidos é o Restaurante Sobrino de Botín, fundado em 1725. O livro Guinness de Recordes, em sua edição de 1987, o considera o mais antigo do mundo.

Agora, você já está diante de um dos bairros mais boêmios de Madri, La Latina. Adoro! Percorra a rua Cava Baja até chegar à Plaza del Humilladero. Há opções de bares e restaurantes em abundância. Gosto muito do La Chata, da Casa Lucas e da tradicional Casa Lucio (imprescindível fazer reserva!).

Para terminar o dia em alto estilo, que tal assistir a uma apresentação de flamenco? São múltiplas as opções de locais. Indicarei apenas alguns: Tablao La Quimera, Corral de la Morería, Casa Patas, Cardamomo, Las Carboneras.

Certamente, se seguir este roteiro, o dia será intenso. Pode ser que ganhe alguns calos, mas também belas fotos e recordações. Além disso, experimentará o que é o dia a dia de muitos madrilenos. Talvez até se sinta como o cantautor e poeta espanhol Joaquín Sabina (1949 –  ): “Me sinto mais madrileno que o prefeito de Madri, porque os que nasceram em Madri não puderam sonhá-la. O bom é chegar com a boina e a mala de papelão e, em cinco minutos, ser de Madri” (tradução minha).

Recordo que, no próximo artigo, falarei sobre a Madrid de los Borbones e passarei mais dicas de atrações na cidade. Até breve!

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Restaurante La Chata. Foto: Andréa Milhomem

Este artigo contou com a valiosa colaboração de Elena Blanco, auxiliar administrativa na Embaixada do Brasil em Madri, e do jornalista Luciano Milhomem, autor de  “O Blog Menos Lido do Mundo“.

espanha Madrid y yo: un flechazo

Deambulando por el acogedor Madrid de los Austrias

El escritor y periodista Francisco Umbral (1932-2007) dijo, “Madrid es una excusa para contar historias”. La verdad es que no necesito excusas. Hablar de Madrid es como hablar de mi propia casa. Siento un cariño enorme por esa ciudad que tan bien me acogió durante diez años. Guardo recuerdos maravillosos y mantengo amigos que, estoy segura, serán para toda la vida.

En mis primeros meses en Madrid, como no conocía a mucha gente, si me venía abajo, salía a caminar. Las calles, los monumentos y el azul del cielo, incluso en el auge del invierno, me hacían volver a casa revigorizada. Con el paso del tiempo, incluso después de hacer amigos, nunca renuncié a los paseos. Era una forma de sentirme como la ciudad: viva. Hago mías las palabras del novelista catalán Use Lahoz (1976 –   ): “Madrid sentía debilidad por mí y yo por ella”.

La mejor época para ir a Madrid es en otoño o en primavera. El verano es muy caluroso, con temperaturas que pueden superar los 40 grados, y no refresca ni durante la noche.

Conocer los puntos turísticos es algo que se hace relativamente rápido. Los principales museos (Prado, Thyssen y Reina Sofía) son los que toman más tiempo. Se puede coger el autobús de turismo. Sin embargo, la mejor forma, en mi opinión, de recorrer la ciudad es a pie. Se camina por las varias callejuelas, a la vez que se disfruta de las cafeterías, restaurantes, bares de tapas y casas de flamenco. La ciudad es bulliciosa y siempre está llena de gente,  así que, ¡cuidado con la cartera! Los pequeños hurtos son comunes.

Cualquier guía turística de la ciudad la dividirá esencialmente en dos: El Madrid de los Austrias y el Madrid de los Borbones. Así también estará dividido este artículo. Este se restringirá a sugerir lugares para visitar en el llamado Madrid de los Austrias. El próximo tratará del Madrid de los Borbones, y presentará otras atracciones turísticas interesantes de la ciudad.

La Casa de Austria es como se conoce a la dinastía Habsburgo reinante en la Monarquía Hispánica (o Monarquía Católica), desde 1516, cuando Carlos I fue proclamado rey, hasta la muerte sin sucesión directa de Carlos II, en 1700.

Durante la dinastía de los Austrias, en el año 1561, Felipe II traslada la corte de Toledo a Madrid. Esta decisión hizo con que la ciudad casi cuadriplicara su superficie en poco tiempo. Las zonas más antiguas de la ciudad fueron objeto de una profunda remodelación. Se derribaran las murallas medievales y buena parte de sus puertas para poder ampliar las calles y crear nuevas plazas comerciales.

A pesar de las numerosas obras constructivas llevadas a cabo por los monarcas de la Casa de Austria, la modernización de Madrid vendría de la mano de la Casa Real de los Borbones, dinastía monárquica de origen francés a la que pertenece el actual rey español D. Felipe de Borbón y Grecia, que reina con el nombre de Felipe VI.

La mejor forma de conocer el Madrid de los Austrias es caminando. Para recorrerla tranquilamente, dedícale un día entero.

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Foto: Martin Kapoun

Aunque no forma parte del Madrid de los Austrias, sugiero que empieces la ruta por la Puerta del Sol, uno de los lugares más conocidos y concurridos de la capital española. El edificio más antiguo es la Casa de Correos, construido a finales del siglo XVIII, y que hoy está ocupado por la Concejalía de Presidencia de la Comunidad de Madrid. De su arquitectura, destaca el reloj de la torre, del siglo XIX. Este reloj es el gran protagonista en Nochevieja. Una multitud se aglomera en la plaza esperando sus doce campanadas para cumplir con el ritual de comer las doce uvas que anuncian buena suerte a la llegada del Año Nuevo. Ante la Real Casa de Correos, se encuentra la placa del Km 0 de las carreteras nacionales que parten de Madrid. Otro monumento muy famoso y popular punto de encuentro, en la Puerta del Sol, es El Oso y el Madroño. ¡No salgas de allí sin tu foto!

Para adentrarte en el Madrid de los Austrias, sigue por la concurrida y encantadora calle peatonal Arenal. No mires sólo los escaparates. De vez en cuando, mira también hacia arriba y disfruta de la decoración art noveau de los edificios. Para un momento en la Iglesia de San Ginés, una de las más antiguas de Madrid, de 1085. Su apariencia de nueva se debe a las varias restauraciones. Datos interesantes sobre esta iglesia: allí fue bautizado el famoso escritor del Siglo de Oro español Quevedo (1580-1645) y  se casó el dramaturgo y poeta español Lope de Vega (1562-1635). No dejes pasar desapercibida la pintoresca Librería San Ginés, fundada hace más de 300 años. No importa si eres un amante de la literatura o no. La librería, protegida por tejas y con sus mesitas de madera, conserva su estructura original, lo que la hace muy acogedora. Sigue por el pasadizo hasta llegar a la tradicional Chocolatería San Ginés. Prueba el chocolate con churros. ¡Seguramente no te arrepentirás!

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Foto: Chocolatería San Ginés

Continuando por la calle Arenal, llegarás a la plaza de Isabel II, más conocida como Ópera. Sigue hasta la plaza de Oriente. En esta monumental plaza, datada de 1844,  destaca entre las diversas esculturas y los bellos jardines, la efigie de Felipe IV, del siglo XVII, considerada la primera estatua ecuestre del mundo suspendida únicamente sobre las patas traseras del caballo. Verás dos de los edificios más relevantes de la ciudad: el Teatro Real y el Palacio Real. Si tienes tiempo disponible, vale la pena visitarlos.

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Plaza de Oriente. Foto: Martin Kapoun

El Palacio Real, en la calle de Bailén, se levanta en el privilegiado lugar en el que los mulsumanes construyeron la fortaleza que, en el siglo IX, fue el origen de “Mayrit”, en árabe. Cuando Alfonso VI conquista la ciudad, dos siglos más tarde, el primitivo castillo musulmán se convierte en el Alcázar de los reyes cristianos que, a lo largo de los siglos, lo van sometiendo a sucesivas reformas.

Bajo el mandato de los Austrias la antigua fortaleza llegó a adquirir el aspecto de una auténtica residencia palaciega, hasta que en 1734 sufre un incendio devastador que la reduce prácticamente a ruinas. Es entonces cuando Felipe V, el primer rey de la Casa de Borbón en España, decide levantar un nuevo palacio en el mismo emplazamiento.

Las obras comenzaron en 1736 y se prolongaron hasta 1764. De trazado cuadrangular, el palacio se organiza en torno a un gran patio central, siguiendo el esquema de los antiguos alcázares, mientras que las fachadas, en las que se empleó granito, piedra blanca de Colmenar y mármol para relieves y detalles, están inspiradas en las que realizó Bernini para el Louvre en 1665.

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Palácio Real. Foto: Martin Kapoun

Actualmente el Palacio no se utiliza como residencia real, sino para actos oficiales, como: recepciones de gala oferecidas a los Jefes de Estado que visitan el país; presentación de cartas credenciales ante S.M. el Rey por parte de los Embajadores Extranjeros en España y audiencias militares.

Después de haberte imaginado viviendo en el Palacio y viendo una ópera desde el palco real del Teatro, es hora de redimirse visitando la Catedral de la Almudena, la principal iglesia de la Archidiocesis de Madrid y donde se presta culto a la patrona de la ciudad, Santa María de la Almudena. Su construcción se inició en 1883. Las obras concluyeron en 1993. Presenta tres estilos: neoclásico en el exterior, neogótico en el interior y neorrománico en la cripta. La entrada es por la calle Bailén. Si deseas visitar la cripta, entra por la calle Mayor.

Finalizada la visita a la catedral, dirígete a la calle Mayor. Haz una pequeña parada en la plaza de la Villa, donde se encuentran tres edificios de gran valor histórico-artístico: la Casa y Torre de los Lujanes (siglo XV), en estilo gótico-mudéjar; La Casa de Cisneros (siglo XVI), palacio plateresco; y la Casa de la Villa, de estilo barroco, perteneciente al Ayuntamiento de Madrid.

A continuación, dirígete a la plaza Mayor. Originalmente llamada plaza del Arrabal y donde se ubicaba el principal mercado de la ciudad, sirvió de escenario para varios eventos, como corridas de toros, coronaciones, ejecuciones públicas, y en la época de la Inquisición, autos de fe. Su remodelación se inició en 1577, durante el reinado de Felipe II, y finalizó en 1619, bajo el reinado de Felipe III, cuya estatua ecuestre, realizada en 1616, se encuentra en el centro de la plaza. Destaca la Casa de la Panadería, edificio de 1590 que, desde 1992, tiene la fachada pintada con figuras mitológicas relacionadas con la historia de Madrid. Hoy en día, alberga el Centro de Turismo Plaza Mayor. Todas las mañanas de domingo se celebra en la plaza Mayor el mercado de filatelia y numismática. Desde 1860, es también donde se realiza el mercado de Navidad.

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Plaza Mayor. Casa de la Panadería. Foto: Martin Kapoun

Aunque en la plaza Mayor haya una gran oferta de restaurantes, sugiero que pruebes algo más sencillo, pero muy rico: el bocadillo de calamares, en  Casa María, en la Cervecería Plaza Mayor, en Magerit o en El Soportal. Si aún no tienes hambre, no te preocupes, también lo encontrarás en otros puntos de la ciudad. Un lugar muy conocido es El Brillante, frente a la estación de tren de Atocha.

Saliendo por la parte oeste de la plaza Mayor, llegarás al Mercado de San Miguel. Vale la pena una visita. Su estructura de hierro y cristal es de principios del siglo XX, pero fue reformado y reinaugurado en 2009, convirtiéndose en un mercado gourmet, con alimentos y bebidas de calidad.

Acércate a la calle Cava de San Miguel. A continuación, en el número 17, encontrarás el restaurante Mesón del Champiñón. Se anuncia como el lugar en el que encontrarás los mejores champiñones del mundo. ¡Y sí es verdad que los hacen muy ricos! Es un sitio muy interesante. Se asemeja a una cueva repleta de setas. Sin embargo, sobre el organista hay distintas opiniones…

Siguiendo por la Cava de San Miguel, encontrarás el emblemático Arco de Cuchilleros, empinada escalera de piedra y el más famoso – y fotografiado – de los nueve portales de acceso a la plaza Mayor.

Desde el Arco de Cuchilleros hasta la plaza de Puerta Cerrada, caminarás por la calle de Cuchilleros, llena de bares y restaurantes. Uno de los más conocidos es el Restaurante Sobrino de Botín, fundado en 1725. El libro Guinness de los Récords, en su edición de 1987, lo considera el más antiguo del mundo.

Ahora, estás frente a uno de los barrios más bohemios de Madrid, La Latina. ¡Me encanta! Sigue la calle Cava Baja hasta llegar a la plaza del Humilladero. Hay opciones de bares y restaurantes en abundancia. Me gusta mucho La Chata, Casa Lucas y la tradicional Casa Lucio (¡Imprescindible hacer reserva!).

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Casa Lucio. Foto: Andréa Milhomem

Para finalizar el día a lo grande, ¿qué tal asistir a una actuación de flamenco? Son múltiples las opciones de tablaos. Presento algunos de ellos: Tablao La Quimera, Corral de la Morería, Casa Patas, Cardamomo, Las Carboneras.

Ciertamente, si sigues este itinerario, el día será intenso. Puede que te salgan ampollas, pero también dejará buenas fotos y recuerdos. Además, experimentarás lo que es el día a día de muchos madrileños. Tal vez incluso te sientas como el cantautor y poeta español Joaquín Sabina (1949 –  ), “Me siento más madrileño que el alcalde de Madrid, porque los que han nacido en Madrid no han podido soñarla. Lo bueno es llegar con la boina y la maleta de cartón, y a los cinco minutos ser de Madrid”.

Recuerdo que en el próximo artículo hablaré sobre el Madrid de los Borbones y haré sugerencias de otras atracciones turísticas de la ciudad. ¡Hasta pronto!

Este artículo contó con la preciosa colaboración de Elena Blanco, Auxiliar Administrativa en la Embajada de Brasil en Madrid, y del periodista Luciano Milhomem, autor de  “O Blog Menos Lido do Mundo“.

bandeiras Madrid: love at first sight

Wandering through the charming Madrid of the Austrias

Plaza Mayor
Plaza Mayor. Photo: Andréa Milhomem

The writer and journalist Francisco Umbral (1932-2007) said once that “Madrid is an excuse to tell stories”. I don’t need an excuse. Talking about Madrid is like talking about my own home. I have  deep affection for this city that treated me so well for ten years. From there I keep wonderful memories and friends who, I am sure, will be for life.

In my first months in Madrid, as I didn’t know many people, when I felt a little down, I used to go for a walk. The streets, the monuments and the blue sky, even with the lowest temperatures of winter, restored my spirits. Over time, even after having made friends, I kept taking walks. That’s how I could feel myself just like the city: lively. I make my own the words of the Catalan novelist Use Lahoz (1976  –    ): “Madrid had a weakness for me and I for her”.

The best time to go to Madrid is in the fall or in the spring. The summer is very hot, with temperatures that can exceed 40 degrees Celsius, and it doesn’t get cooler during the night.

Sightseeing in Madrid is relatively fast. The main museums (Prado, Thyssen and Reina Sofia) take more time. An option is to take the bus tour. But, in my opinion, the best way to get to know Madrid is on foot. By walking through the various alleys, you can enjoy the cafes, restaurants, tapas bars (tapas are small portions of food, from olives to the famous jamón serrano ham and manchego cheese) and flamenco locales. There are always people on the streets. There’s hustle and bustle everywhere. So beware of your wallet. Pickpockets are rife.

Any tourist reference to the city will divide it essentially into two: Madrid de los Austrias and Madrid de los Borbones. And so will this article. This one will be restricted to the interesting places to visit in the so-called Madrid de los Austrias. The next one will mention the Madrid de los Borbones and other attractions of the city.

The House of Austria is known as the Habsburg dynasty reigning in the Hispanic Monarchy (or Catholic Monarchy), from 1516, when Charles I was proclaimed king, until the death without direct succession of Charles II, in 1700.

During the dynasty of the Austrias, in 1561, Philip II moved the court from Toledo to Madrid. This decision meant that the city almost quadrupled its surface in a short time. The oldest areas of the city were thoroughly remodelled. The medieval walls and some of its doors were demolished in order to expand the streets and improve the commercial activity.

In spite of the numerous constructive works carried out by the monarchs of the House of Austria, the modernization of Madrid would take place under the House of Bourbon, a royal dynasty of French origin to which belongs the present Spanish king D. Felipe de Borbón y Grecia, who reigns under the name of Philip VI.

The best way to get to know Madrid de los Austrias is by walking. If you don’t want to do it in a rush, you can spend one day in the district.

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Photo: Andréa Milhomem

Although it is not part of the Madrid de los Austrias, I suggest that you start your tour at the square Puerta del Sol, one of the most known and popular places in the Spanish capital. The oldest building is the Post Office (Casa de Correos), built at the end of the 18th century. Today it houses the headquarters of the President of Madrid’s Autonomous Community. Of its architecture, the 19th century clock tower stands out. The watch is the protagonist on New Year’s Eve. A crowd gathers  at the square guzzling down a grape to each of its twelve chimes at midnight. It announces good luck in the arrival of the New Year. Outside the Real Casa de Correos, one can find a stone slab on the pavement marking Kilometre Zero, the official starting point for Spain’s National Roads that departs from Madrid. Another very famous monument, and popular meeting place, at Puerta del Sol, is the Bear and the Strawberry Tree (El Oso y el Madroño). Do not leave it behind without a photo!

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Puerta del Sol. Photo: Madrid Destino

Your next destination will be the Royal Palace, so take Calle Arenal, a very busy and charming pedestrian street. Do not just look at the store windows. From time to time, look up and enjoy the art noveau decoration of the buildings. Take a break in the Church of San Gines, one of the oldest in Madrid, from 1085. Its appearance of new is due to the various restorations. An interesting information about this church: there the famous writer of the Spanish gold century, Quevedo (1580-1645), was baptized, and the playwright and Spanish poet Lope de Vega (1562-1635) got married. Do not miss the picturesque Librería San Ginés, a bookstore founded more than 300 years ago. It does not matter whether you are a  literature lover or not. The bookstore is protected by tiles and, with its wooden tables, it retains its original structure. It’s lovely! Follow the alley until you reach the traditional Chocolatería San Ginés. Try the chocolate with churros and feel like a child again.

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Photo: Royal Palace

Continuing your way through Calle Arenal, you will reach the square Plaza de Isabel II, better known as Opera. Continue until Plaza de Oriente. At this monumental square, dating from 1844, stands out among the various sculptures and beautiful gardens, the effigy of Philip IV of the seventeenth century, considered the first equestrian statue of the world suspended solely by the hind legs of the horse. Two of the most important buildings of the city are at this square: the Royal Theatre and the Royal Palace. Depending on your availability, it is worth visiting them.

The Royal Palace, in Bailén Street, rises in the privileged place where the Muslims built the fortress that, in the 9th century, was the origin of “Mayrit”, in Arabic. When Alfonso VI conquered the city, two centuries later, the primitive Muslim castle became the Alcázar (fortress palace) of the Christian kings which, over the centuries, underwent successive reforms.

Under the rule of the Austrias, the old fortress acquired the appearance of an authentic palace, until 1734, when a devastating fire reduced it practically to ruins. That was the reason behind the decision of Felipe V, the first king of the House of Bourbon in Spain, to to build a new palace on the same site

The works began in 1736 and lasted until 1764. In a quadrangular layout, the palace is organized around a large central courtyard, following the scheme of the old palaces, while the facades, which used granite, white stone of Colmenar and marble for bas-relief and details, are inspired by those made by Bernini for the Louvre in 1665.

Currently it is not used as the royal residence, but as gala receptions for foreign Heads of State, the presentation of letters of credence before the King by foreign ambassadors and Military Audiences

After having imagined yourself living in the Palace and watching an opera in a royal box of the Royal Theatre, it is time to redeem yourself by visiting the Cathedral of the Almudena, the main church of the Archdiocese of Madrid and where Saint Mary of the Almudena, the patron saint of the city, is worshiped. The church’s construction began in 1883. The works were completed in 1993. It has three styles: Neoclassical  outside, Neo-Gothic inside and Neo-Romanesque in the crypt. The entrance is through Calle Bailén. If you want to visit the crypt, take Calle Mayor.

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Cathedral of the Almudena. Photo: Madrid Destino

After visiting the cathedral, head for Calle Mayor. Make a short stop at Plaza de la Villa. At this square, there are three buildings of great historical and artistic value: The Lujanes’ House and Tower (15th century) in Gothic-Mudejar style; the Cisneros’ House (16th century), a Plateresque palace; and the Casa de la Villa, in Baroque style, one of the sites of the Madrid City Council.

Then you should  walk to Plaza Mayor. This square, originally called Plaza del Arrabal and where the main market of the city was located, for centuries hosted popular entertainments, such as bullfights, coronations, and, during the Inquisition, rituals of public penance (autos de fe). Its restoration begun in 1577, during the reign of Felipe II, and was finally finished in 1619, under the reign of Felipe III, whose equestrian statue, created in 1616, is in the centre of the square. Worth mentioning is also the Casa de la Panadería, a building dating back to 1590, which in 1992 got the stunning façade with the representation of mythological figures related to the history of Madrid. Nowadays, it houses the Plaza Mayor Tourist Information Centre. Every morning, on Sundays and holidays, you will find the philatelic and numismatics market there. Since 1860, it is also where the Christmas market takes place.

Although there is a great amount of restaurants in Plaza Mayor, you can try something simpler: bocadillo de calamar (a squid sandwich made with French bread, which may be accompanied by mayonnaise and lemon). You can find it at Casa María, Cervecería Plaza Mayor, Magerit or at El Soportal. If you aren’t hungry, don’t worry. The sandwich can be found in other parts of the city. A well-known place is El Brillante, in front of Atocha train station.

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El Brillante. Photo: Martin Kapoun

Leaving from the western part of the Plaza Mayor, you will reach the San Miguel Market. It’s worth a visit. Its iron and glass structure dates back to the early 20th century, but was renovated and reopened in 2009, becoming a gourmet market.

Next, you can go to Calle Cava de San Miguel. At number 17, you will find the restaurant Mesón del Champiñón. Its publicity assures it makes the best mushrooms in the world. It certainly does! It is really a very interesting place. It resembles a cave full of mushrooms. Anyway,  opinions vary about the organist…

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Photo: Mesón del Champiñón

Following the Cava de San Miguel, you will find the emblematic Cuchilleros Arch, a steep stone stairway and the most famous – and photographed – of the nine portals that give access to the Plaza Mayor.

From the Cuchilleros Arch to the Puerta Cerrada Square, you will walk down Calle de Cuchilleros, a street full of bars and restaurants. One of the most famous is Sobrino de Botín, founded in 1725. The Guinness Book of Records, in its 1987 edition, considers it the oldest restaurant in the world.

Now, you are in the bohemian neighbourhood, La Latina. I love it! Follow Cava Baja street until you reach the Plaza del Humilladero square. There are plenty of bars and restaurants. I really enjoy La Chata, Casa Lucas and the traditional Casa Lucio (booking a table is mandatory).

To finish the day in a great way, how about watching a flamenco performance? There are multiple  options. I will only mention some of them: Tablao La Chimera, Corral de la Morería, Casa Patas, Cardamomo, Las Carboneras.

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Photo: Cardamomo Tablao Flamenco

If you follow this itinerary, the day will be quite intense. It may give you blisters, but also beautiful photos and memories. Besides, you will experience the everyday life of  most Madrilenians. You may even feel like the Spanish cantautor and poet Joaquin Sabina (1949 –    ): “I feel more Madrilenian than the mayor of Madrid, because those born in Madrid have not been able to dream about it. The good thing is to arrive with your beret and your cardboard bag, and five minutes later to become a Madrilenian”.

Remember that my next article will be about the Bourbon Madrid and I will also give you some tips on others attractions in the city. See you soon!

Elena Blanco, Administrative Assistant at the Embassy of Brazil in Madrid, and Luciano Milhomem, journalist and the author of the blog O Blog Menos Lido do Mundo, contributed to  this article. 

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6 thoughts on “Madri: paixão à primeira vista. Perambulando pela charmosa Madri dos Áustrias

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